terça-feira, 29 de dezembro de 2015

dos sítios e das memórias

hoje fui, com a minha mãe, à aldeia dela. 

a minha avó está há uns meses largos em casa dos meus pais. a casa dela está à venda e aos poucos vamos tirando de lá coisas, antes que os amigos do alheio o façam. de lá já tenho algumas coisas, que há muitos anos já dizia que queria ficar com elas. e mais vale a minha avó dar-mas enquanto é viva, antes que haja confusão um dia mais tarde ou que as levem.

uma das coisas que está cá em casa, há um ano, é um relógio antigo, daqueles de corda. mas, por incrível que pareça, não suporto o barulho dele. apesar de ficar bem naquela parede, este não é o sítio dele, não é o sítio ao qual eu o associo cada badalada. a minha mãe sentiu exatamente o mesmo.

é verdade que já lá não ia há muito tempo. de facto, é mesmo isso: uma casa. as memórias daquela casa continuarão vivas, por mais anos que passem. quer eu lá vá, quer não. porque as memórias fomos nós que as fizemos, a família. ir lá é recordar, sorrir. 

ir lá é continuar a ter o mesmo sentimento quando entro no quarto onde o meu avô morreu. 19 anos depois, a sensação é a mesma.

uma casa é só uma casa. as memórias somos nós que as fazemos, seja em que casa for. 


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